Sexta-feira, 27 de Agosto de 2010

Sugestões musicais no regresso às aulas

My Dying Bride (Doom Metal - Inglaterra)

Só tinha ouvido falar até os ver no Vagos. O concerto cativou-me bastante, tanto pela intensidade do ambiente musical como pela presença em palco da banda, em especial o vocalista, Aaron Stainthorpe.
My Dying Bride é uma banda de Doom Metal com elementos e influências de Death Metal, caracterizando-se por um som pesado, lento e melancólico, virado para o depressivo.
O papel do violino, apesar de não ser novidade em bandas deste estilo, é bastante importante, e torna o que era infeliz, ainda mais miserável.
Não me parece que agrade a quem prefere músicas alegres. Digo o mesmo a quem prefere metal mais rápido, como thrash ou death. Acho adequado para quem procura emoção na música que ouve. Fãs de black metal podem vir a gostar. Na minha opinião, o black e doom metal são os estilos de metal mais emotivos, sendo o principal ponto em comum.

Estas faixas foram tiradas do álbum que comprei no festival The Angel & The Dark River e não têm voz gutural.






Pin-Up Went Down (Avant-Garde - França)

Completamente fora do ambiente do Vagos agora, queria chamar a atenção para este projecto de metal experimental / avant-garde. Trata-se de um rapaz e uma rapariga que decidiram fazer música juntos, misturando o metal mais agressivo com música progressiva e elementos do jazz e funk, tornando grande parte das suas músicas imprevisíveis, muitas vezes com variações repentinas (como eu gosto). O ambiente, contudo, é sempre na onda metal. As músicas são muito engraçadas, nada têm de depressivas, portanto, não tem nada a ver com a recomendação acima






Secret Chiefs 3 (Avant-Garde, EUA)

Bem, isto é o projecto do ex-guitarrista de Mr. Bungle. Imagina-se portanto o estilo musical. Mistura de vários estilos de música bastante diferentes, álbuns com faixas completamente distintas, música totalmente imprevisível, impossível de explicar. Há neste projecto contudo, uma fixação pela música oriental (persa, indiana, por aí fora) que não se via tanto em Mr Bungle (pelo menos nos álbuns que conheço, não tenho a discografia toda deste grupo, ainda).
As faixas que vou colocar aqui são das mais normais que conheço, não têm estes elementos muito presentes (até porque são covers).






Mouse On The Keys (Post-rock/Jazz - Japão)

Japão é sempre uma boa terra para ir à procura de coisas novas. Mouse on the Keys é uma trio de jazz (com teclados e bateria), que junta a esse estilo elementos do post-rock (há alturas que parece que estamos a ouvir GY!BE), assim como componentes de música electrónica, da qual não sei grande coisa, portanto também não vou falar. O facto de ser apenas teclados e bateria, adicionado à vontade de explorar o post-rock e o jazz e a electrónica, faz com que esta banda tenha um som único.
A música é bastante relaxante, mas desafiante ao mesmo tempo, e pelos vídeos que vejo no youtube, parece ser um grupo porreiro ao vivo, juntando vários elementos visuais que combinam muito bem com o som que se ouve. É fixe, merece ser divulgado.






Darkspace (Black metal ambiente - Suíça)

Bem, estes são uns fulanos que já conheço e ouço há um bom tempo, mas sempre tive vergonha de o dizer, devido à polémica associada ao black metal de que é música satânica, que quem ouve é um sádico nazi assassino que queima igrejas, e que é o estilo musical de Marilyn Manson. Como eu não tenho paciência para discutir estes pontos falsos e ridículos não o vou fazer. Gosto do estilo, da sonoridade e não sou satânico nem nazi nem nada dessas coisas (assim como grande parte das bandas não é), para esclarecer.
O tema de Darkspace é o Espaço, pura e simples. A sua vastidão, o vazio, you get the picture. Este tipo de BM é lento, muito pesado e com som muito preenchido (uma verdadeira wall of sound), características que definem o black metal ambiente, popularizado por Burzum (apesar de este ter muitos trabalhos que nada têm a ver com isto), muito diferente do black metal de Darkthrone, por exemplo que é mais "concreto" (não encontro melhor termo).




Akphaezya (Avant-Garde Metal (mais uma vez) - França)

Estes gajos são das melhores misturas de Metal, lounge, jazz, funk, soul e sei lá que mais que já ouvi. Descobri há pouco tempo quando estava no last.fm a ver bandas relacionadas com Pin-Up Went Down. Fiquei bastante impressionado e estou a pensar comprar o Anthology II, visto que é bastante barato. Eu posso não gostar da língua francesa, mas realmente este país tem-nos dado grandes projectos de música experimental.




Uma nota final: Eu sinceramente não acho que estas músicas sejam inacessíveis, nem concordo com o rótulo de avant-garde que tantas destas bandas possuem. Acho que há muito boa música que infelizmente não é tão divulgada, mas que certamente até seria bem vinda de vez em quando se passasse num rádio do carro, para a pessoa não estar constantemente a ouvir a Fire with Fire ou algo assim. Não tenho nada contra a música, até a acho engraçada, mas já chega! É sempre a mesma coisa e torna-se extremamente aborrecido. Um pouco de variedade e originalidade não faz mal a ninguém.

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